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Textos sem abrigo - Benilde Araújo, Bac B

lundi 14 mars 2011

"E agora ? O que é que vou fazer ?" Estas são as perguntas que não saem do meu pensamento durante o dia todo. Isto tudo começou num dia de abril : primeiro fui despedido, perdi a minha querida namorada e perdi a casa. Perdi isso tudo e muito mais. Até a minha força de vontade e o que me restava de amigos. A única que me ajudou foi a minha grande amiga que é a garrafa de álcool, está sempre aqui, comigo. Está comigo agora, nesta rua onde a gente passa sem me ver, por que não sabem que estou cá ou porque não querem ver a triste realidade. "Não te aproximes, filho !", "Não tenho dinheiro.", "Não tenho tempo." Uma vida cheia de "nãos", de desprezo, de abandono. A barriga vazia como o lenço sem moedas aos meus pés, como a garrafa, como eu próprio. As luzes de Natal não param de brilhar, as pessoas vão festejar esse evento religioso mágico, que para mim já nem existe. A religião já não existe, os milagres também não, só podemos acreditar no dinheiro e no trabalho.

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