Association Culturelle pour les Etudes Portugaises

O Cirurgião

mercredi 18 juillet 2012

Para a realização deste trabalho escrito, pediu-se aos alunos que tivessem como modelo um trecho extraído do livro Resposta a Matilde da autoria de Fernando Namora.

Poderia apostar que este homem é médico. E, ao ver o seu queixo proeminente, convenço-me de que a sua especialidade é a cirurgia. A sua bata branca, os seus óculos angulosos, o seu nariz saliente, tudo me conforta na minha ideia. Todas as pessoas que abraçam a mesma profissão desenvolvem aspetos físicos semelhantes, em particular, os médicos : os longos anos de estudos modelam-lhes o físico. As mãos finas e minuciosas, o rosto sério, que todos eles ostentam – ou elas, no nosso caso é um homem – revelam as suas opções profissionais.

Já encontrei este tipo no jardim do hospital pela sétima ou oitava vez, sempre à hora do almoço, e sempre no mesmo banco, a comer uma sandes e a ler um livro. Boa leitura, penso eu, certamente de romances, clássicos, etc. mas nunca – só de pensar nisso seria um crime – nunca de livros populares, vulgares, ou humorísticos. Ler é certamente a sua paixão, e todos os seus tempos livres, quando tem uma meia hora ou uma hora entre duas operações, complicadas, cansativas, vem passá-los neste jardim, concebido especialmente para os doentes arejarem, e os médicos, enfermeiros ou visitantes desanuviarem.

Com certeza que é solteiro, a vida de médico não é compatível com a vida de casal, ou então é-o ao preço de muitos sacrifícios. Muitas vezes, de madrugada, recebe ele uma mensagem chamando-o para uma urgência ; levanta-se, e lá vai ele a correr para o hospital.

É também por esta razão que ele mora nas imediações do hospital, tal como a maioria dos que aí trabalham.

Para compensar esta falta de vida íntima, acontece, ocasionalmente, que o nosso herói tire a tarde ou até mesmo o dia, para passear. Vai a sítios onde pode cultivar-se, vai à ópera, ao teatro, aos museus e às exposições. Quando, uma ou duas vezes por ano tira férias, gosta de viajar muito, conhecer outros países e locais exóticos.

O resto do ano, enquanto espera por essas férias bem merecidas, vem desassombrar ao jardim do hospital. Para quem passa o dia fechado numa sala de operações ou num espaço fechado, este jardim é um "refúgio" que lhe permite aliviar, desanuviar de tudo o que suporta ao longo dos dias.

Patrícia Mendes (1e B)

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