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O pinheiro de Natal (Camille Da Silva – Turma 3°B)

jeudi 13 février 2014, par IdB

Era uma tarde de Primavera. O agricultor tinha acabado de me plantar, ao lado dos meus amigos. Eu tinha uma vida quieta, sossegada, naquele lugar. Em apenas dois anos, eu já tinha crescido três metros.

Um dia de Novembro, um lenhador veio, e em duas machadadas, arrancou-me, cortou-me as raízes da minha terra, da minha mãe. Fui transportado e posto numa carrinha : « Pinheiros para um Natal espantoso ». Assim é que se chamava a empresa em que eu cresci.

A viajem durou muito tempo. Com as estradas montanhosas, os meus amigos e eu não podíamos ficar direitos. Acabei o trajeto com neve nas agulhas. De novo, fui transportado e colocado no parque de estacionamento de um hipermercado. O clima não era o mesmo que o da minha terra, da minha casa. Tinha saudades da natureza. Neste parque de estacionamento austero, o chão não era terra ; terra é alegre e cheia de vida.

Um dia, uma família com uma menina de cinco anos veio à lojita onde eu estava colocado. Tocavam e cheiravam as agulhas dos meus amigos. Enquanto o casal falava preços com o vendedor, a menina aproximou-se de mim, levantou os olhos, e deixou escapar um « wow ». Ela deu meia volta, e gritou « pai, mãe, eu quero aquele ! ». E foi assim que voltei a viajar.

Nesse dia mesmo, já estavam a decorar-me com fitinhas douradas, bolas de todas as cores, estrelas, luzinhas e anjos. Ao meu pé, puseram um presépio, com todas as personagens. Fiquei na sala de jantar da grande casa, todo enfeitado, a olhar a vida desta família.

No dia vinte e quatro de dezembro, toda a casa estava a preparar a mesa, a decorar por todas as partes, a vestir a roupa mais bonita : a casa estava magnífica ! A Emma sentou-se ao meu lado, e arranjou as minhas bolinhas. Ela estava realmente feliz. A porta da entrada abriu-se, e durante uma hora, os convidados foram chegando. A festa era movimentada : as crianças jogavam e dançavam, os adultos falavam e riam-se. As prendas ao meu pé foram abertas, risos de alegria explodiram na sala de jantar.

Logo no dia seguinte, o casal plantou-me no jardim com todo o cuidado para não me ferirem. E assim, todos os anos, sou transplantado do jardim para o salão no período das festas. Agora, faço parte da família, e vejo crescer a Emma. Talvez um dia possa ver crescer seus filhos, se não engordar muito e ficar pesadão.

Camille Da Silva – Turma 3°B

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